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Representantes políticos da América Latina se reunem em Cartagena para debater financiamento climático

Mais de 100 representantes entre governos, municípios, bancos de desenvolvimento, organizações internacionais e associações de municípios que atuam no combate às mudanças climáticas e parceiros do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, se reuniram em Cartagena das Índias (Colômbia) entre os dias 25 e 26 de setembro para falar sobre o financiamento do desenvolvimento urbano sustentável e da ação climática, em um workshop dirigido pelo Programa Internacional de Cooperação Urbana da América Latina e o Caribe (IUC-LAC), da União Europeia.

As palavras de boas-vindas, protagonizadas pela representante do Partnership Instrument da União Europeia, Lise Pate, refletiram claramente a razão do evento: “alcançar planos urbanos de alta qualidade é um marco que tem sido o foco principal do nosso trabalho com o Programa IUC-LAC, mas transformá-los em projetos financiáveis é outro grande passo. O objetivo do workshop de hoje é trazer opções para as cidades para que seus projetos sejam financiados”, afirmou Pate.

“É nas cidades onde temos a possibilidade de avançar em questões importantes, como o desenvolvimento urbano sustentável”, afirmou o Subsecretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano do DNP-Colombia, José Antonio Pinzón Bermúdez, que prosseguiu.

Lise Pate e José Antonio Bermúdez nas boas-vindas do Diálogo Regional de Financiamento Climático

A América Latina e o Caribe (ALC) passam por um processo de urbanização irreversível onde, apesar dos problemas enfrentados, as cidades buscam ser agentes de contribuição de soluções. Contudo, por vezes enfrentam o problema de não ter fundos suficientes para fazê-lo. Conforme o relatório  do Overseas Development Institute (ODI) e da Fundación Boll, nos últimos 20 anos, apenas 10% dos 17,4 milhões de dólares em financiamento climático chegaram aos governos locais,  de maneira desigual, uma vez que chegaram mais fortemente aos grandes países da região, como Brasil e México.

Junto a essas dificuldades de acesso ao financiamento climático, que normalmente é canalizado pelas autoridades nacionais, está a falta de capacidade técnica a nível local, a falta de experiência no desenvolvimento de projetos financiáveis e o déficit de mecanismos financeiros alternativos.

Após a introdução, a cargo do Diretor do IUC-LAC, Manuel Fuentes, e da Chefe da Unidade de Coordenação do IUC Global, Giorgia Rambelli, o workshop focou em uma discussão interativa sobre mobilização de investimentos para o desenvolvimento urbano sustentável, intitulado “Como as cidades podem garantir o capital necessário para o desenvolvimento urbano sustentável até 2030?”.

 O Prefeito de Bell Ville (Córdoba) Carlos Briner, conversou com o IUC sobre a importância do financiamento climático que estava sendo discutido na reunião, garantindo que no workshop “desintegrou completamente esse conflito de financiamento de que carecem todos os prefeitos por motivo de barreiras com os governos centrais de cada país,  que não compreendem como funciona a questão das mudanças climáticas trabalhando a partir do nível municipal, ou seja, de baixo para cima.”

Debate sobre a mobilização de investimentos para o desenvolvimento urbano sustentável

Posteriormente, foi iniciada uma sessão sobre as oportunidades e obstáculos para os municípios em termos de acesso ao financiamento climático, onde tomou a palavra, entre outros, a responsável pelo o Departamento de Cooperação Internacional da Cidade de Miraflores (Perú), Sol Rivas Aguilar, que comentava que “na cadeia global não existe nenhuma cidade pequena demais que não possa ensinar e nem grande demais que não possa aprender”.

O primeiro dia terminou com a sessão “Do planejamento à implementação: O que fazer e o que não fazer para financiar a ação local”.

A Diretora Executiva do Fórum de Cidades para a Vida (FCV), Liliana Miranda, enquanto isso, destacou para o IUC o trabalho que 25 municípios do Peru estão realizando “que já se inscreveram no Pacto e estão trabalhando na identificação de seus riscos climáticos, avaliando as vulnerabilidades, definindo medidas de adaptação e assegurando que ” para que melhor do que um evento como esse, que nos diz quais são as possibilidades de financiamento para essas medidas”.

Participaram do encontro os representantes políticos de países da América Latina, como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru e Uruguai, conforme pode ser visto:

Segundo o Diretor do Programa Internacional de Cooperação Urbana na América Latina e o Caribe (IUC-LAC), Manuel Fuentes, o workshop é muito importante porque  “ao contrário do que acontece com a União Europeia, que oferece apoio financeiro, como doações e empréstimos às cidades de seus estados membros, ainda não existe suporte semelhante na América Latina e no Caribe. Daí a importância de oficinas como essa para saber como solicitar financiamento para o desenvolvimento de políticas de desenvolvimento sustentável nas cidades”.

Atrair investimentos de capital para a ação climática é um dos principais desafios que as cidades da região enfrentam. Assim afirma a Representante da Associação de Municípios Equatorianos, Cecilia Pozo, que comentou “esse financiamento quase não chega aos governos municipais, os municípios que realizam essas atividades. Eu acho muito bom que se busque uma metodologia para canalizar esse financiamento e que realmente atinja aqueles que irão executar essas ações pelas mudanças climáticas.

“Na mesma linha se posicionou a Coordenadora de Gestão de Conhecimento do Comitê Consultivo Nacional da Federação Colombiana de Municípios, Paola García, que afirmou que “é necessário que pequenos municípios possam saber onde encontrar recursos e definir projetos para ter acesso a esses bancos de recursos”.

Por último, o profissional de meio ambiente do Município de Temuco, Sergio Otth, ressaltou a importância do evento, garantindo que “é muito importante poder participar dessas atividades para poder se vincular, aprender sobre experiências fora de nosso país e, assim, trabalhar em conjunto com outras cidades de nosso país para poder nos unirmos e buscar objetivos comuns, uma vez que nossas preocupações são transversais”.

Durante o segundo dia de evento, 26 de setembro, os participantes foram divididos em dois grupos de trabalho: Cooperação de cidade a cidade, implementação da Nova Agenda Urbana por meio da ação local; e o Pacto Global de Prefeitos pelo o Clima e a Energia na América Latina e o Caribe, do compromisso a ação.

 

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